Bife, ele era o gol!

“Foi o mais perfeito de todos”; “Ninguém sabia fazer gols como ele”; “Na área, era simplesmente mortal”; “Nasceu na época errada, se jogasse hoje, estaria brilhando na Europa”; “Nunca mais passou um artilheiro como ele por aqui”, “No Brasil, não tem um centroavante como ele”; “Era quase impossível de ser marcado”; “Era um gênio dentro da área”; “Pra resumir? Ele era o gol…”

Radialistas, jornalistas, técnicos, torcedores, jogadores, historiadores… Quem viu José Silva Oliveira, o Bife, em campo, em algum momento da conversa vai fazer pelo menos uma das citações acima. Paulista de Vera Cruz, José Silva Oliveira, o Bife, foi criado em Aquidauana, Mato Grosso do Sul, e em 1971 aportou em Mato Grosso para se tornar ídolo nos rivais Operário e Mixto, e se consagrar como o maior artilheiro da história do Estádio José Fragelli (demolido em 2010), com 92 gols.

Vítima de falência múltipla dos orgãos, conseqüência de uma cirrose hepática, morreu em Cuiabá aos 57 anos no dia 16 de fevereiro de 2007. Veloz, ágil, de dribles curtos e fáceis, noção perfeita de posicionamento na área, e com um faro de gol sem precedentes, deixou uma nação de fãs, admiradores e saudosistas, hoje cada vez mais inconformados com a multidão de jogadores apenas medianos que ganham milhões sem saber fazer nem 10% do que o grande Bife fazia.

Sua história de amor com o futebol mato-grossense começou em 1971, quando veio do LS de Campo Grande para o Operário de Várzea Grande pelas mãos do Velho Guerreiro Rubens dos Santos. No Tricolor ficou por cinco temporadas e se transformou no terror do Dutrinha. Em 1975 voltou a Mato Grosso do Sul, desta vez para disputar o Campeonato Brasileiro pelo Comercial, mas no ano seguinte estava de novo em Cuiabá, agora contratado pelo Mixto, que estreava na competição nacional.

Batizado pelo narrador Márcio de Arruda, se transformou na ‘Fúria Alvinegra’. Já na Era Verdão, continuou com a mesma fome de gols e títulos, chegando ao tricampeonato estadual com o Tigre. Entre idas e vindas, jogou um Paulistão pelo São Bento de Sorocaba (1978) e um Brasileirão pelo Nacional de Manaus (77).

Também chegou a ficar um tempo no Atlético Mineiro, do técnico Telê Santana, mas não se adaptou e pediu para vir embora. Mas foi em 1980 que surgiu sua primeira grande chance. Foi contratado pelo Porto, de Lisboa. Em Portugal ficou um ano e sete meses, e também jogou pelo Belenenses.

De volta a Mato Grosso, jogou mais uma vez pelo Mixto e depois, aos 30 anos, foi para o Operário, ajudando o time de Várzea Grande a conquistar o Estadual de 1983 e quebrar um jejum de 10 anos sem título. Bife ainda passou por União de Rondonópolis, Atlético Mato-grossense e Palmeiras de Cuiabá, retornando ao Operário para encerrar a carreira em 1985, aos 36 anos de idade.

Quatro vezes artilheiro do Campeonato Mato-grossense (com um total de 54 gols) e maior artilheiro do Estado em Campeonatos Brasileiros (29), sem dúvida, ele era o gol!

 

Chances desperdiçadas

Nenhum adjetivo pode ser considerado exagerado para definir o artilheiro Bife. Foi tudo que dizem, e mais um pouco. Mas, poderia ter ido muito mais longe. Com melhor orientação, sabedoria e muitas vezes mais responsabilidade, poderia ter levado o sucesso dos gramados para a vida pessoal. E ele próprio admitia que “faltou cabeça” para não desperdiçar fora de campos as chances que tão bem sabia aproveitar nos gramados.

Poderia ter ficado no Atlético Mineiro, tinha talento para uma carreira promissora na Europa, era jogador em nível de seleção brasileira… Por inexperiência, caprichos, deslumbre e algumas decisões intempestivas, jogou tudo fora. Viveu os últimos anos de sua vida com enormes dificuldades financeiras.

“Sinceramente eu não tive cabeça. Não tive orientação. Hoje em dia, qualquer jogadorzinho tem empresário, assistência, marketing. Na minha época era mais aquela coisa do amor à camisa, o que a gente ganhava gastava e achava que as pernas nunca iam cansar”, declarou ao jornal A Gazeta em reportagem publicada no dia 2 de julho de 2001.

No auge, acumulou um patrimônio razoável, mas não estava preparado para administrar e acabou perdendo quase tudo. Virou funcionário público e seu último emprego foi como treinador do Projeto Bom de Bola, Bom de Escola, mantido pela prefeitura de Cuiabá.

“O Bife era um grande cara, gente boa, se deixou levar por muita conversa de aproveitadores, falsos amigos”, diz o comentarista Roberto de Jesus César, o Careca, também ex-jogador. “Tinha bola para jogar em qualquer time, era um centroavante diferenciado. Dificilmente teremos um talento semelhante por aqui”, completa.

 

O ÍDOLO

Nome – José Silva de Oliveira

Apelido – Bife

(1949 – 2007)

Naturalidade – Vera Cruz (SP)

Times – Guarandy-MS, LS-MS, Operário-MT, Mixto-MT, Comercial-MS, União-MT, São Bento-SP, Atlético-MG, Porto-PORT, Belenenses-PORT, Atlético-MT e Palmeiras-MT

 

FARO DE GOL

Artilheiro do Estadual 1977 – 19 gols

Artilheiro do Estadual 1979 – 12 gols

Artilheiro do Estadual 1980 – 13 gols

Artilheiro do Estadual 1983 – 10 gols

Maior artilheiro de Mato Grosso em

Campeonatos Brasileiros      –  29 gols

Maior artilheiro do Verdão   –  92 gols

 

O APELIDO

“Eu tinha uns 11 anos, lá em Aquidauana, e só queria saber de jogar bola. Um dia meu irmão chegou e disse: ‘olha, o capitão (da Polícia Militar) mandou você pegar a marmita dele. Se você não for ele vai deixar você preso um tempão. Cheguei lá, peguei a marmita, fui atrás de um monte de tijolos que tinha para construção da igreja e tirei a tampa pra olhar. Mas tinha uns bifão cheirosos lá! Aonde que naquela época eu comia bife? Peguei um pedacinho de cada um, para ele não notar e comi. Só que um tal de Ramon passou na hora e viu. Depois, quando fui para o caminho jogar esse cara tava tirando o par ou ímpar para escolher os times e quando me viu gritou ‘eu quero o Bife!’ Eu olhei pra traz e não tinha ninguém, aí o cara falou que queria o cara que estava roubando bife da marmita. Parti pra cima dele, aí todo mundo começou com a gozação e o apelido ficou. O Bife ficou e não saiu mais”

Relato do ex-jogador Bife ao DVD “Bife, o nome do gol”, produzido pelo jornalista Macedo Filho, ao explicar a origem do seu apelido

 

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