Ruiter, o gênio indomável

Temperamento forte, gênio instável e uma intimidade com os gramados e a bola comparável a poucos, pouquíssimos. Polêmico e talentoso, Ruiter Jorge de Carvalho, também ganhou fama de chorão, sempre reclamando – principalmente da arbitragem -, e entrou para a história do futebol de Mato Grosso como exímio lançador, armador e cobrador de faltas.

Careca há muito, muito tempo, Ruiter também sempre foi visto como um jogador ‘pouco disciplinado’. Não por jogadas desleais, mas sim pela mania de encarar de frente os desafios, adversários e árbitros, sem papas na língua e, claro, reclamar muito, e de quase tudo. Foi um desses desabafos que fez o craque pegar uma suspensão recorde em 1972.

Tudo aconteceu após o Tribunal de Justiça Desportiva da então Federação Mato-grossense de Desportos (FMD) absolver o zagueiro operariano Gaguinho e penalizar Ruiter, tirando-o de um clássico contra o rival de Várzea Grande. Ao ser entrevistado por uma emissora de rádio sobre a decisão judicial, Ruiter soltou o verbo, atacando o TJD com veemência.

Acabou sendo julgado outra vez e punido com 2.220 dias (7 anos) por ter “ofendido em público” os membros do Tribunal. O Mixto recorreu à CBD (hoje CBF) e conseguiu reduzir a pena para três meses. Ah, em tempo: a suspensão que o tirou do clássico veio quando Ruiter foi julgado sob a acusação de ter mostrado o órgão genital para a torcida em um jogo anterior. Ele nega.

Goiano de Mineiros, Ruiter começou sua carreira no futebol “por volta dos 14 anos de idade” no Vasquinho de Jataí, também Goiás. Os pais eram contra e por se dedicar muito ao futebol acabou sofrendo alguns ‘castigos’. Sem dinheiro para comprar chuteiras, chegou a treinar descalço.

Do Vasquinho, Ruiter foi para a Associação Jataiense e no final dos anos 50 veio para Mato Grosso defender o famoso (e hoje extinto) Araguaia Esporte Clube – o Pantera do Leste -, da cidade de Alto Araguaia (426 km da capital mato-grossense, já pertinho de Goiás). O time pertencia a um fazendeiro “muito rico, o Pedro Ondino”, conta Ruiter. O pecuarista tinha aviões e fazendas, e contratava grandes jogadores de Minas Gerais e Goiás”.

Do Pantera, o meia se transferiu para o Mixto em 1959. “Aproveitei que tinha que servir ao Exército”, diz o ídolo que em 1961 saiu para disputar um Campeonato Paulista pela Prudentina (Presidente Prudente). Depois de jogar mais dois anos no interior paulista (defendeu o Barretos também) retornou ao Alvinegro cuiabano, onde ficou até 1972.

Em seguida vestiu pela primeira vez a camisa do Clube Esportivo Operário de Várzea Grande. “Fomos campeões estaduais em 1973, um dos mais importantes títulos do clube, pois foi disputado com o estado integrado”, destaca. Em 75 jogou no União, no ano seguinte no Operário de Campo Grande e aí, como era dono do passe, foi girando por Mixto, Operário e União, onde encerrou a carreira em 1982.

“Minha carreira é uma das mais longas do futebol brasileiro”, afirma Ruiter. “Joguei profissionalmente até os 42 anos”, lembra. Quando parou de jogar, foi ser técnico de futebol – treinou Mixto, Dom Bosco, União e Operário – e comentarista esportivo de rádio e tv. “Na verdade, comecei a ser técnico em 1976 no Operário de Campo Grande quando ainda jogava. O técnico saiu e eu assumi”. O Mixto foi o último time que dirigiu, no Estadual de 1994.

Economista, funcionário aposentado da secretaria estadual de Fazenda e pecuarista, tem uma vida financeira estabilizada.

 


QUEM É

Nome: Ruiter Jorge de Carvalho

Nascimento: 23/12/192, em Mineiros (GO).

Principais conquistas: tetracampeão mato-grossense pelo Mixto e campeão estadual pelo Operário-VG.

Clubes onde jogou: Vasquinho-GO, Jataiense-GO, Araguaia Esporte Clube-MT, Mixto, Prudentina-SP, Barretos-SP, Operário-MS, Operário-MT e União.

Outras atividades ligadas ao futebol: comentarista esportivo, técnico e diretor do Mixto.

 


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