Nelson Vasques, um clássico

Cabelo no melhor estilo década de 70, nariz de libanês, sotaque carioca, fala mansa, educação invejável, categoria inquestionável. Nelson Roberto Vasques foi um dos maiores zagueiros do futebol de Mato Grosso de todos os tempos. Carioca, chegou em Mato Grosso no ano de 1973 e se tornou ídolo do Mixto e do Dom Bosco. Por aqui ficou, casou, virou técnico de escolinhas e times profissionais.

Era um zagueiro daqueles raros até hoje. Não dava pontapé, tinha uma técnica incrível, habilidade de atacante e elegância. “Nelson foi um dos zagueiros mais clássicos que já passou pelo futebol de Mato Grosso”, dizia sempre o narrador Rubens Neves, dombosquino e fã incondicional do ex-atleta. “Preferia tomar a bola do atacante jogando limpo, sair jogando e até armava contra-ataques”, lembra Ruiter Jorge de Carvalho, que foi seu companheiro no Mixto.

Nelson viveu uma situação constrangedora quando chegou em Cuiabá, sempre relatada por ele com bom humor. “Vim para jogar no Mixto e fui dispensado pelo Roberto França, que era técnico, e pelo Antero de Barros, que era diretor do time. Não me deixaram ficar nem na república”, relata. Tinha 21 anos e acabou indo para o Palmeirinhas do Porto.

Mas o destino é mesmo caprichoso. “Minha estréia foi justamente contra o Mixto. Fui eleito o melhor do jogo e recebi o prêmio, que era uma caderneta de poupança, das mãos do Roberto”. Jogou tanto naquele ano, que em 74 foi parar no Mixto depois de um ‘leilão’ entre pelo menos quatro times, incluindo Operário e Comercial, ambos de Campo Grande-MS.

A carreira começou nas divisões de base do Flamengo, com Zico, Geraldo, Jaime e cia.. Ainda nas divisões de base, jogou também no Botafogo-RJ. Primeiro foi escalado como armador, depois volante e fixou-se na zaga, posição na qual fez história. Trazido pelo empresário Benê Soares, veio do Pinheiros de Curitiba (hoje extinto e transformado em Paraná Clube a partir da fusão com Colorado e Ferroviário) para Cuiabá.

Aqui, além do Mixto defendeu também o Dom Bosco. Nos dois, formou uma dupla inesquecível com o igualmente talentoso zagueiro Jorge Macedo. “Jogávamos por música. Nem precisava olhar para tocar a bola um para o outro ou se posicionar, porque um sabia onde o outro estava”, lembra. Fora de Mato Grosso também viveu momentos importantes defendendo times como Juventus-SP, Anapolina-GO, Corinthians de Presidente Prudente-SP e Olaria-RJ, entre outros.

Os melhores momentos, no entanto, considera que viveu no Mixto Esporte Clube. “Um deles foi a conquista do Torneio Centro-Oeste, na década de 70, que era disputado por treze times e nós superamos todos, até os de Goiás”, destaca com visível emoção. Outra ‘conquista’ que considera importante foi integrar o time do Operário de Campo Grande que chegou a semifinal do Campeonato Brasileiro de 1977.

Encerrou a carreira em 1984 no Douradense-MS, principalmente por causa de problemas nos joelhos. A partir daí começou no Mato Grosso do Sul (Ubiratan e Águia Negra) sua carreira de treinador. Também dirigiu o Tangará (cinco vezes) e trabalhou em várias escolinhas de futebol, como Gaúcho e AABB. No Mixto, foi auxiliar-técnico em 2016.

 


QUEM É ?

Nome: Nelson Roberto Vasques.

Nascimento: 13/3/1952, no Rio de Janeiro (RJ).

Principais conquistas: campeão da Copa Centro-Oste (Mixto), campeão Taça Cuiabá (Mixto), 3º lugar Campeonato Brasileiro 1977 (Operário-MS).

Clubes onde jogou: Flamengo, Botafogo e Olaria-RJ; Carlos Renaux-SC; Pinheiros-PR; Comercial, Operário e Douradense-MS; Anapolina-GO; Corinthians-Presidente Prudente-SP; Palmeiras, Mixto e Dom Bosco-MT.

Times que treinou: Ubiratan-MS e Tangará Esporte Clube-MT.

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