Ele esteve lá

“E agora a opinião de quem conhece, conhece por que esteve lá…”

Esta é a deixa do narrador para o comentário de Roberto de Jesus César, o Careca, ex-jogador e ex-técnico, hoje consagrado analista esportivo. Idolatrado pela torcida do Mixto como o treinador que levou o time pela primeira vez a disputa do Campeonato Brasileiro, Careca é um daqueles comentaristas que não faz rodeio, é objetivo e faz o torcedor/ouvinte entender o que está acontecendo em campo sem qualquer dificuldade. Sua vasta experiência dentro de campo e também como treinador lhe garantiu um know-how fundamental para fazer a diferença no uso do microfone.

Careca chegou em Cuiabá no final de 1972, vindo de Campo Grande. Mas, curiosamente, não veio para jogar futebol. Na hoje capital de Mato Grosso do Sul, além de atleta trabalhava em uma empresa de snooker e foi nessa atividade que foi enviado para o ‘norte’. “Num domingo, na Praça Alencastro, me encontrei com o Délio de Oliveira (ex-presidente do Palmeiras de Cuiabá) e recebi um convite para jogar. Acertei e aí começou minha história por aqui”, conta o radialista, que nunca mais foi embora.

Quando parou de jogar foi convidado para treinar o Mixto e acabou comandando o time na conquista da vaga como primeiro representante de Mato Grosso no Campeonato Brasileiro. Isso aconteceu em 1976, o que lhe garantiu a permanência no cargo também no ano seguinte. No final daquela temporada, quando decidira voltar para Campo Grande, recebeu um convite do repórter Elbson de Moraes para dar uma entrevista na Rádio A Voz d’Oeste, e lá foi surpreendido com outra oportunidade: “esta veio do narrador Edivaldo Ribeiro e do comentarista Antero Paes de Barros, me chamando para ser comentarista da equipe de esportes”.

Aceitou e lá se vão 35 anos na crônica esportiva. “Não tinha nenhuma experiência no microfone e até acho que fui convidado muito mais por ter sido técnico do Mixto, ser respeitado e admirado pela conquista da vaga no Campeonato Brasileiro”, diz Roberto, casado e pai de uma filha. Orgulha-se de ter entrado “pela porta da frente” no rádio que, na época, tinha enorme audiência, credibilidade e importância.

“Naquele tempo o rádio era uma coisa de louco, o que se falava ali quase virava lei. E era só fera. Eu lembro que na equipe que comecei, como narradores tinha Rui Pimentel, Edivaldo Ribeiro, Rubens Neves e Ademir Rodrigues, comentaristas eram o Antero Paes de Barros e o William Gomes, tinha também o Dorileo Leal… Enfim, só os papas da comunicação tinham vez e tive a felicidade de chegar por cima”, relembra.

Ao longo dos anos, recebeu inúmeros convites para voltar a treinar no futebol regional e também para ser dirigente. No máximo, aceitou fazer parte do conselho deliberativo do Mixto, seu time do coração. “Minha área agora é outra, sou comentarista e gosto muito do que faço”.

Careca está na Rádio CBN Cuiabá (antiga Gazeta AM) desde o início da década de 90. “Infelizmente o futebol de Mato Grosso, especialmente da Baixada Cuiabana, está longe, muito longe dos grandes tempos. Mas não podemos desistir e acho que as coisas só vão mudar quando tivermos Mixto e Operário fortes, sem isso não teremos nenhuma chance e assim mesmo podemos no máximo melhorar, porque voltar ao que era não voltaremos nunca mais”, lamenta com a autoridade de quem conhece, porque esteve lá!

Diretor de uma cooperativa de crédito, Careca está momentaneamente afastado do rádio, “mas sempre acompanhando tudo”.

 


O clássico que mudou o destino

O dia 12 de julho de 1976 mudou a história de Roberto de Jesus César como técnico de futebol. A data registra uma virada histórica do Mixto em cima do seu maior rival, o Clube Esportivo Operário Várzea-grandense, no jogo que colocou o Alvinegro como primeiro representante de Mato Grosso no Campeonato Brasileiro. Foi o ‘jogo dos seis minutos’, contado aqui no site tendo como personagem principal o ex-jogador Tuta – CLIQUE AQUI.

O clássico mudou a vida do Tuta, mas também a do treinador. Nascia ali o rótulo de ‘primeiro técnico a levar o Mixto para o certame nacional’, que o acompanha até hoje. Uma idolatria sem prazo de validade. “Aquilo mudou minha vida mesmo, aceitei os convites que vieram para ficar em Cuiabá, casei com uma cuiabana, tenho uma filha cuiabana, a cidade me recebeu muito bem e sou grato por isso”, frisa.

O reconhecimento mixtense pelo “grande feito” foi imediato. “Eu lembro que saia na rua e era parado a todo momento, festejado. Era quase carregado, não podia andar nas ruas”, lembra com orgulho, acrescentando que “esta fama, este reconhecimento pelo que aconteceu em 1976 ainda hoje é lembrado, muita gente me aborda ainda para falar sobre o jogo, sobre a conquista, agradecendo, lembrando a emoção que viveu. Isso é muito gratificante”.

Careca é plenamente grato por aquele momento e garante não ter esquecido de nenhum detalhe de como tudo aconteceu. De bate pronto, é capaz de escalar não só o time que treinava, mas também o adversário.

– Ah sim, não dá para esquecer este momento que mudou minha vida. O Mixto tinha Saldanha, Marinho, Nelson, Ari Martins e Erivelton; o meio campo era Rômulo, Ari Contijo e Pastoril; e na frente você tinha Zair, Bife, Jorginho, as vezes Renato, o Joel Silva também era um bom reserva… e tinha o Tuta, é claro… era um time inesquecível, como também não esqueço o time do Operário, que também era um timaço: Carlos Pedra; Paulinho, depois o Joilson; Polaco, ex-Palmeiras, Miro e Lázaro; no meio-campo tinha Humberto, que depois jogou no Santos e no São Paulo – depois entrou o César Diabo Loiro -, Mosca e Nélson Lopes; Pelezinho, Tadeu Macrini e Wilsinho, que era da Ponte Preta. Eles montaram um grande time, um time para ir para o Brasileiro, mas pegaram o Mixto pela frente…

 


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