Rubens dos Santos, o Velho Guerreiro

 

Homem de grande importância na vida social, política e esportiva de Várzea Grande, Rubens Baracat do Santos, entrou para a história como o ‘pai’ do Clube Esportivo Operário de Várzea Grande e um dos mais astutos e apaixonados dirigentes do futebol de Mato Grosso. Integrante do grupo que fundou o Tricolor, em 1º de maio de 1949, o Velho Guerreiro – como ficou conhecido no futebol – presidiu o clube várias vezes, participou de importantes conquistas e ajudou a transformar a rivalidade com o Mixto na maior do estado. Também foi um dos principais responsáveis pelo processo de profissionalização do futebol mato-grossense.

Rubens teve uma ativa contribuição no desenvolvimento de Várzea Grande e do Estado. Foi vereador por dois mandatos (inclusive presidindo a Câmara de VG), ajudou a criar a Apae-MT (Associação de pais e Amigos dos Excepcionais) e a implantar a Defesa Civil de Mato Grosso. Também teve atuação destacada na imprensa, onde criou, o jornal Correio Várzea-grandense.

Polêmico, ‘malandro’, briguento, o Velho Guerreiro – que também foi jogador do seu Operário – protagonizou inúmeras páginas histórias para o futebol de Mato Grosso, nos chamados ‘bons tempos’, quando o esporte levava multidões aos estádios locais. Seus embates com dirigentes rivais foi inúmeros. “Era um dos mais espertos cartolas, não era fácil enfrentá-lo nos bastidores”, lembra Antero de Barros, filho de Ranulpho, um dos fundadores do Mixto. “Eram brigas homéricas, por jogadores, com a arbitragem, com a imprensa”.Seus alvos principais, além do Mixto, eram o Dom Bosco, o Clube Atlético Mato-grossense (já extinto) e a própria Federação Mato-grossense (na época, de Desporto).

Presidiu o Chicote da Fronteira pela última vez no início dos anos 80 e nunca se conformou com a derrocada do seu time e do futebol do estado como um todo. “Acabaram com tudo, só entraram incompetentes aí. O último presidente de verdade que o Operário teve foi o Edivaldo (Ribeiro, radialista, tricampeão estadual 1985/86/87), mesmo assim deixou tomarem a sede do Tricolor”, dizia o Velho Guerreiro, citando o leilão imposto por dívidas trabalhistas.

Bastante adoentado, Rubens dos Santos morreu no dia 18 de julho de 2014. Deixou uma lacuna impreenchível como um dos últimos e grandes românticos do futebol regional. Na época que o futebol por aqui realmente valia a pena.

(Na foto, publicada no blog do Zé Pulula, Rubens dos Santos (primeiro à direita) comanda uma eleição no Operário, nos anos 80, ao lado de Branco de Barros, Jaime Campos e Francisco Monteiro)

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

captcha service